A luz da razão

24/12/2009 por Djalmir de Barros


Compare, por favor, esses homens, Humboldt e Darwin com os fundadores da religião presbiteriana. Leia a vida de Espinoza, o adorável panteísta, e depois leia a vida de João Calvino, e me diga, sinceramente, na sua opinião, qual era o “monstro” ! Nem seus colegas alegam que os homens foram feitos para ser eternamente castigados por terem estado enganados sobre as verdades da geologia, astronomia ou matemática. Um homem pode negar que a terra é redonda, ou que rode, rir da lei da gravidade, debochar da hipótese das nebulosas, e ver com horror uma tabuada de multiplicação e, no entanto tomar parte de um coro angelical. Eu insisto sobre a mesma liberdade de pensamento em todos os departamentos do conhecimento humano. A razão é o teste final e supremo.

Se Deus já fez uma revelação ao homem, ela deve ter sido endereçada à sua razão. Não há outra faculdade que possa decifrar a mensagem. Eu admito que a razão é algo pequeno e frágil, uma pequena e trêmula chama carregada na noite escura, — ameaçada e soprada por tempestades de paixão, — e, no entanto esta é a única luz que temos. Se a extinguirmos, nada restará.

Robert G. Ingersoll

O Pensador

14/10/2009 por Djalmir de Barros

O indivíduo que pensa se abre a possibilidades. Ele analisa, compara, estuda mudanças, novos caminhos e é mais vantajoso ainda quando quem pensa leva a sério o resultado do seu pensamento, transformando idéias e sentimentos em atitudes muito práticas. O indivíduo que não pensa se acomoda, não tem opinião própria, vive num clima de medo e sujeito a lamber as botas do “chefão”, dizendo Amén a tudo o que ele diz.

Por trás das boas mudanças do mundo, desde as revoluções libertárias as grandes descobertas científicas, há uma história do pensamento e de pensadores que utilizaram sua inquietação para fazer o mundo melhor. Isso funciona também no microcosmo onde vivemos. Um pensador procura, antes de tudo, se tornar um ser humano melhor e isso faz com que todos os que estão à sua volta, de uma forma ou de outra, acabem por se beneficiar.

Djalmir de Barros

O homem não pode permanecer estacionado.

20/09/2009 por Djalmir de Barros

Na maior parte das vezes nós herdamos nossas opiniões. Nós somos herdeiros de hábitos e atividades mentais. Nossas crenças, como os costumes nas nossas roupas, dependem de onde nós nascemos. Fomos moldados e formados pelo nosso ambiente.

O ambiente é um escultor — um pintor.

Se tivéssemos nascido em Constantinopla, a maioria de nós iria dizer: “Não há nenhum Deus além de Alá, e Maomé é seu profeta.” Se nossos pais tivessem nascido nas margens do Ganges, nós poderíamos ser adoradores de Shiva, esperando pela chegada ao céu de Nirvana.

Em geral, crianças amam seus pais. Acreditam no que eles ensinam. E têm grande orgulho em dizer que a religião da mãe é adequada para elas.

A maioria das pessoas amam a paz. Eles não gostam de ser diferentes dos vizinhos. Pessoas gostam de companhia. Elas são sociais. Elas gostam de viajar na estrada com a multidão. Elas odeiam caminhar sozinhas.

Os escoceses são calvinistas porque seus pais eram. Os irlandeses, católicos porque seus pais eram. Os ingleses, episcopais, porque seus pais eram. E os americanos são divididos em centenas de seitas porque seus pais eram. Esta é a regra geral, para a qual, existem numerosas exceções. Filhos às vezes são superiores aos seus pais, modificam suas regras, alteram seus costumes, chegam a diferentes conclusões. Mas isto é tão gradual que as mudanças são fracamente percebidas, e aqueles que mudam usualmente continuam a insistir que permanecem seguindo os passos dos pais.

É dito pelos historiadores cristãos que a religião de uma nação foi, repentinamente vítima de um processo de mudança, e que milhões de pagãos teriam se transformado em cristão sob o comando de um rei. Filósofos não concordam com esses historiadores. Nomes foram mudados, altares foram substituídos, mas as crenças continuaram as mesmas. Um pagão, diante da espada ameaçadora de um cristão iria provavelmente mudar sua visão religiosa.. Um cristão, com uma cimitarra em sua cabeça, tornar-se-ia um maometano. Mas em essência, ambos continuariam exatamente o que eram antes, mudando apenas o discurso.

Crença não é sujeita à vontade. Homens pensam como podem. Crianças não, elas acreditam exatamente no que lhes é ensinado. Elas não são exatamente como seus pais. Elas diferem em temperamento, em experiência, em capacidade, nas circunstâncias. Então há uma contínua e quase imperceptível mudança. Há desenvolvimento, consciente e inconsciente crescem, e comparando grandes intervalos de tempo, nós percebemos que o velho foi abandonado, quase substituído pelo novo. O homem não pode permanecer estacionado. A mente não pode ser ancorada num local seguro. Se não avançarmos, andaremos para trás. Se não crescermos, decairemos. Se não nos desenvolvermos, atrofiaremos e morreremos.

Robert G. Ingersoll

Bíblia da Prosperidade, meu ato secreto

26/07/2009 por Djalmir de Barros

cilas
Vixe! Que dia feio. Escuro, sem sol e muito menos perspectivas. Fui à casa da viúva pobre e ela havia preparado uns bolinhos com a última porção de farinha que restava e eu comi tudo, certo de que Deus providenciaria um fluxo ininterrupto de farinha e azeite para ela. Só que, até agora, a viúva está falando sozinha e eu morrendo de vergonha. Não tenho coragem nem de olhar a cara da pobre mulher. Não sei o que dizer, tão pouco.

Elias, Eliseu, Daniel, Samuel, Raniel, enfim, esses caras eram ou são todos muito bem sucedidos. De vez em quando, me empolgo e saio dando uma de grande profeta, anjo ou pastor do Morumbi e me dou mal, muito mal. Pior é que não tenho como repor nem a farinha dela, pois minha situação se não está igual, está pior que a dela.

Mas tudo bem, o mundo dá voltas, ou seria o planeta? Não importa, assim que meu mundo virar, tratarei de comprar uma bíblia da prosperidade do Malafaya. Fica todo mundo falando mal do cara, mas começo a suspeitar que, talvez, ele esteja certo e o pessoal da Barra Funda errado. Como diria o Gerald Jampousky: “Prefiro mil vezes estar feliz, do que estar certo.” Boa teologia e boas intenções não enchem nossas barrigas, especialmente a dos nossos rebentos como frutas da oliveira.

Não sei se o maioral está querendo me dizer alguma coisa com tanta falta. É, falta isso, falta aquilo e no fim falta tudo, inclusive juventude, algo quem anda fazendo muita falta na cadeira onde estou sentado. Agora entendo porque Fernando Pessoa, Machado de Assis e outros do mesmo quilate morreram pobres. Perderam tempo escrevendo aquelas coisas lindas, enquanto seus credores ficavam a ver navios, literalmente. Também entendo o Nietzsche e sua imensa raiva da igreja e dos pastores, só podia ter endoidado. Perder tempo com essa raça de víboras é a maior burrice da existência.

Meu, é preciso sair andando e colhendo o fruto das árvores plantadas no dia anterior e quanto mais cedo melhor, pois Deus ajuda quem cedo madruga, segundo meu aforista predileto. Problema é arrumar uma terrinha para plantar, além da idade e da pouca vontade, o Sarney pegou toda a terra para ele, aquele caçador de marimbondos em atos secretos de uma figa.

Mais perdido que cego em tiroteio nas ruas das favelas cariocas, tentarei ficar em pé e cuidar para não cair, como recomendou o imprudente apóstolo. Apóstolos e bispos mais eficazes tratariam de recomendar uma boa corrente e não essas tolices teológicas. Estou brabo mesmo, pode acreditar. E ainda por cima querem acabar com meu blog. Como disse o próprio: “bloguemos hoje, pois amanhã twittaremos todos”. Isso se conseguir manter a banda larga paga. Mas com a Bíblia da Prosperidade tudo será diferente.

Por Lou Mello [O Pastor da Caverna]

Tom Honey on God and the tsunami

19/07/2009 por Djalmir de Barros

Ao falar para uma platéia aparentemente não-cristã, Tom Honey oferece algumas pistas interessantes de espiritualidade. Legendas em português, Basta clicar em “View subtitles
Link: Tom Honey on God and the tsunami

Encarnação

16/07/2009 por Djalmir de Barros

Rasgar o mar com a adaga flamejante de um general; arrepender-se; fazer de uma mulher matéria-prima para um bloco salino – tais são operações impossíveis a um Ser eterno.

A mulher corre, olha para trás e é acorrentada ao solo, toda dura e toda branca como eram seus dentes. A operação, se ao final paralisa, tem um final e tem uma gênese – é uma operação realizada na delirante sucessão a que chamamos tempo. Do mesmo modo, o arrependimento implica a negação de um momento em outro e a mão que feriu o mar foi a mesma que fechou a ferida em um segundo momento.

A eternidade, conforme concebida pelos homens, não é em nenhuma de suas variações a mera agregação de passado, presente e futuro – é, na sentença de Borges, “algo mais simples e mais mágico: é a simultaneidade desses tempos.” Na eternidade a sucessão não existe.

Deus, enquanto Ser eterno, vê-se impedido de vestir a capa do general; sofre da terrível limitação que lhe impõe a eternidade. Criou os homens a sua imagem e semelhança e despediu-os para longe de suas mãos. Seu pesadelo é, sendo onipotente, nada poder fazer no fluxo do rio que ele próprio pariu.

Aquele Deus que queima cidades e empunha armas é filho da ânsia dos homens.

O tema do auto-esvaziamento divino sugere uma fascinante inversão: Deus faz-se à imagem e semelhança dos homens; despe-se da onipotência para poder lançar-se no fluxo alucinante da história; troca o poder absoluto pela lágrima frágil. Tudo o que temos do Deus esvaziado é a lágrima rastejando em um rosto solitário, é o sangue cobrindo um braço impotente.

Pedir o estancamento do sangue, do nosso sangue, é não compreender o sentido profundo da encarnação. Quando a divindade decide despojar-se da imobilidade e sentir no peito a correnteza inapelável dos anos, o amor é sua força motriz (Jo 3:16), e o espaço e o tempo os elementos que compõem o cenário de sua atuação (Jo 17:18).

O sentido profundo da encarnação está em que o Deus encarnado não pode mais que o samaritano, mas pode mais – muito mais – do que o Deus eterno.

Posted by Alysson Amorim
Fonte: Amarelo Fosco

A repetição produz conforto

12/07/2009 por Djalmir de Barros

Os crentes estão sempre em busca do conforto quando vão às igrejas aos domingos. A repetição conforta porque ela afirma a imutabilidade da verdade. E na medida em que a verdade dita no momento é a verdade que alguém já está acostumado a ouvir, cria-se a certeza de ser-se senhor da verdade.

Não é por acidente, portanto, que o protestantismo brasileiro não tenha produzido teólogos. Só pode haver vocações para tarefas possíveis. Quando tudo já está feito, como se sentir vocacionado para fazê-lo? Um jovem estudante de teologia procurou um dos seus professores para dizer-lhe de seus planos de ir para a Europa estudar teologia. E isto foi o que lhe foi dito: “Moço, para que estudar teologia? Não há novidades. A teologia só pode repetir aquilo que você já estudou aqui. Por que, em vez de estudar teologia, você não estuda psicologia pastoral ?”.

Quer isto dizer que no protestantismo não existe um estudo de teologia? De forma alguma. Desejamos simplesmente indicar que a teoria protestante de conhecimento não permite teologia como tarefa crítica, exploratória, criadora, pois isto pressupõe que o pensamento cristalizado no passado não é absoluto. A tarefa não é criar conhecimento novo, mas justificar o conhecimento velho. A teologia se define, portanto, como a aprendizagem dos processos dedutivos pelos quais o texto foi transformado em um sistema de doutrinas.

Rubem Alves em Religião e Repressão , Editora Teológica, p.139.

As vaquinhas de presépio

02/07/2009 por Djalmir de Barros

Os pastores evangélicos estão virando tutores da vida dos fiéis. Eles decidem. Apoiados em interpretações bíblicas fazem as escolhas no lugar do fiel, que age por submissão por considerá-lo um enviado de Deus. A população evangélica cresce no Brasil, o aumento é maior entre os seguidores das igrejas neopentecostais. A maioria delas prega a teologia da prosperidade, ou seja, a religião é vista como uma maneira de se dar bem e não de trazer paz.

Por Luis Gustavo Chapchap

Os destruidores do velho são os criadores do novo.

01/06/2009 por Djalmir de Barros

Os infiéis de determinada época se transformam nos santos da época seguinte. Os destruidores do velho são os criadores do novo. À medida que o tempo passa, o velho se vai e o novo, por sua vez, torna-se velho. Há no mundo intelectual, como no mundo físico, decadência e crescimento, e no túmulo dos que decaíram nasce a juventude e a alegria.

A história do progresso intelectual é escrita na vida dos infiéis; direitos políticos têm sido escritos por traidores, e liberdades de mentes, por hereges. Atacar um rei era traição; disputar com um sacerdote, uma blasfêmia. Por muitos séculos, a espada e a cruz foram aliadas. Juntas elas atacavam os direitos dos homens. Elas se defendiam entre si. O trono e o altar eram abutres irmãos gêmeos, vindos do mesmo ovo.

Jaime I disse: ‘nenhum bispo, nenhum rei’. Ele deveria ter acrescentado: ‘nenhuma cruz, nenhuma coroa’. O rei era o dono dos corpos dos homens. O sacerdote era dono da alma. Um vivia de taxas coletadas pela força; o outro, de esmolas coletadas pelo medo – ambos eram ladrões, ambos pedintes.

Esses ladrões e esses pedintes controlavam dois mundos: os reis faziam leis e os sacerdotes faziam crenças. Ambas atribuíam sua autoridade a Deus. Ambos eram representantes do Eterno.

Com as costas recurvadas, o povo carregava as obrigações de um, e com as bocas abertas de espanto, recebia os dogmas do outro. Se o povo tentasse ser livre, seria esmagado pelo rei, e todo sacerdote era um Herodes que esmagava as crianças pensantes.

O rei governava pela força, e o sacerdote, pelo medo, e ambos dependiam um do outro.
O rei dizia ao povo: “Deus vos fez servos, e me fez rei; ele vos fez para o trabalho, e me fez para a alegria; ele vos deu trapos e ferramentas e me deu palácios e roupas ricas; ele vos fez para obedecer e me fez para comandar. Esta é a justiça de Deus”.

E o sacerdote dizia: “Deus vos fez ignorantes e vis; ele me fez sábio e santo; vós sois as ovelhas; e eu, o pastor; vossas peles pertencem a mim; se não me obedeceis aqui, Deus vos punirá e vos atormentará para sempre num outro mundo. Esta é a misericórdia de Deus”.

“Não deveis usar a razão. A razão é uma rebelde. Não deveis contrariar – a contradição é nascida do egoísmo. Deveis acreditar. Aquele que tiver ouvidos para ouvir, que ouça”. O céu era só uma questão de audição.

ROBERT GREEN INGERSOLL

Campanha da prosperidade

31/05/2009 por Djalmir de Barros

Pastor virou profissão agora. Basta um cursinho por correspondência e você poderá se tornar um pastor e montar a sua própria igreja em “90 dias!”. E tem mais, por apenas R$1.500,00 você poderá se tornar um “doutor em divindade”!
Realmente é um absurdo o ponto que chegamos. Hoje ser pastor não é mais um chamado de Deus, é uma profissão onde basta um curso rápido e a pessoa poderá até abrir sua própria igreja. E essa de “doutor em divindade”? De onde tiraram isso? É um absurdo tal título!
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“Alvos” de oração!!! Quanta pretensão ein? Vemos que o sr Morris Cerulo realmente está influenciando este ministério.
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“Contribua de acordo com a sua renda. Para que Deus não torne sua renda segundo a tua contribuição”. Em outras palavras; barganha pura! Imagina o Terrorismo que os membros desta igreja não devem passar.
alerta_9Evangelho Bu$$ines + distorções Bíblicas = dom de adquirir riquezas! Será que a Bíblia deles tem Mt 19:16-30?
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O Logos

28/01/2009 por Djalmir de Barros

Na verdade eu sou o mais bruto dos homens, nem mesmo tenho o conhecimento de homem.
Nem aprendi a sabedoria, nem tenho o conhecimento do santo.
Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?
Pv 30.2,3,4


Portanto ide, fazei discípulos de todas as naçöes, batizando-os em NOME (O nome está no singular) do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; (Pai, Filho, Espírito Santo, não são nomes próprios. Eu sou Pai, Tio, Irmão, Esposo, etc. Meu nome é Djalmir, sou uma só pessoa)
Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. Mat 28.19,20


A graça do Senhor Jesus Cristo, (Aqui o Nome encabeça os títulos: Deus e Espírito Santo) e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém. II Co 13.14


Por esta razão os irmãos eram batizados em NOME DE JESUS.

“A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela.”
(Max Frisch)


O Logos

No pensamento grego tardio, principalmente em Platão e Aristóteles, o logos perdeu sua conexão íntima com aphysis,  natureza; a partir daí, tornou-se proposição, isto é, um dizer sobre algo. Acrescenta-se a isso o fato de que ela significará ainda “razão”, acontecimento acelerado pela tradução da ratio latina. Basta para isso compreendermos que Aristóteles definiu o homem como um animal que possui o logos, isto é, que possui o poder do discurso: animal racional. Mas, mesmo antes de Platão e Aristóteles, que são considerados como “o próprio pensamento grego”, diz Heidegger, já existia a noção de logos.

A partir de filósofos como Heráclito de Éfeso passou a ter o conceito de razão. Assim refere-se pela primeira vez Heráclito: “Os homens são obtusos com relação ao ser do Logos, tanto antes quanto depois que ouviram falar dele; e não parecem conhecê-lo, ainda que tudo aconteça segundo o Logos “.

Encontra primeira formulação no judeu Fílon de Alexandria (nasceu entre 15 e 10 a.C.), assim Filon diz: “A sombra de Deus é o Seu Logos; servindo-Se Dele como instrumento, Deus criou o mundo. Essa Sombra é quase a imagem derivada e o modelo das outras coisas. Pois assim como Deus é o modelo dessa Sua Imagem ou Sombra, que é o Logos, o Logos é o modelo das outras coisas”.

Atenágoras de Atenas é o autor de uma Súplica pelos cristãos, composta na segunda metade do século II d.C. Nessa carta afirma que o Logos é o Filho-Jesus e procede do Pai, não que tenha sido criado porque desde o principio Deus tem em Si o Logos

Clemente de Alexandria (150 – 215 d.C.) mestre da escola catequética Alexandrina: “O mistério é claro: Deus está no homem e o homem se torna deus, e o Mediador realiza a vontade do Pai. Mediador é o Logos, que é comum a ambos: Filho de Deus, Salvador dos homens, de Deus servo, de nós pedagogo. Uma vez que a carne é serva, conforme Paulo atesta (…) Que a carne seja forma de servo é atestado pelo apóstolo quando fala do Senhor: ´Aniquilou a Si mesmo, tomando a natureza de escravo´, chamando escravo o homem de carne antes que o Senhor Se tornasse escravo e Se encarnasse. O próprio Deus, porém, sofrendo na carne, libertou a carne da corrupção e, depois de tê-la afastado da escravidão portadora de morte e amarga, a revestiu de imortalidade”

Bispo da cidade de Óstia Hipólito de Roma (mártir no ano 235 d.C.) escreveu: “Deus possuía o Verbo em Si mesmo, e o Verbo era imperceptível para o mundo criado; mas fazendo ouvir Sua voz, Deus tornou-Se perceptível. Gerando-O como Luz da Luz, enviou como Senhor da criação Aquele que é Sua própria inteligência. E este Verbo, que no principio era visível apenas para Deus e invisível para o mundo, tornou-Se visível para que o mundo, vendo-O manifestar-Se, pudesse ser salvo. O Verbo é verdadeiramente a inteligência de Deus que, ao entrar no mundo, Se manifestou como o Servo de Deus. Tudo foi feito por Ele, mas Ele procede unicamente do Pai (…). O Verbo, portanto, Se tornou visível, como diz São João (…) o Verbo por quem tinham sido criadas todas as coisas”.

Heráclito de Éfeso disse: “Há só uma coisa sábia: compreender o pensamento que, como tal, governa tudo através de tudo”

Se a physis é o domínio de todos os domínios, o logos é também da physis. Sendo ela o perene emergir, como um clarão que nunca se apaga, o logos deve estar no centro mesmo deste brilhar, e o logos humano deve auscultar, receptivo, a sua voz e fazê-la florescer em palavras.

O logos não é palavra, mas é mais originária que a palavra e é ao mesmo tempo a palavra preparadora de toda linguagem. A palavra logos é o silêncio.

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Teologia é uma peça que se prega aos mortos.

08/03/2009 por Djalmir de Barros

Porque foi desconfigarada pelo dogma, pelo fanatismo e pela supertição religiosa, para manter os homens escravisados e impotentes sob o pesado jugo da religião e da tirania. Uma peça inventada pelos homens para que o homem aprenda temer, não a Deus mas eles próprios.

Um teólogo pensando…“As escolas superiores merecem ser destruídas até aos alicerces. Desde que o mundo é mundo, não houve instituição mais diabólica, mais infernal.”Martinho Lutero

“A Razão deveria ser destruída em todos os cristãos. Ela é o maior inimigo da Fé. Quem quiser ser um cristão deve arrancar os olhos de sua Razão.” - Martinho Lutero


“Não conheço nada tão indecente como essas declarações vagas dos teólogos contra a razão. Ao ouvi-las é de se supor que os homens não pedem entrar no seio da cristandade a não ser como uma manada de bois entra num estábulo.” - Denis Diderot.

“O homem nasce bom e a sociedade o corrompe” – Rousseau.

“O conhecimento leva à unidade, assim como a ignorância à diversidade.” – Ramakrishna


Voltaire preferia a monarquia à democracia; na primeira basta educar um homem, na segunda há necessidade de educar milhões – e o coveiro leva-os a todos antes que dez por cento concluam o curso.

Raro percebemos as partidas que a limitação da natalidade prega aos nossos argumentos.

A minoria que consegue educar-se reduz o tamanho da família; a maioria sem tempo para se educar procria com abundância; quase todos os componentes das novas gerações provêm de famílias cujas rendas não permitiram a educação da prole. Daí a perpétua futilidade do liberalismo político; a propagação da inteligência não está em compasso com a propagação dos ignorantes.

Daí ainda a decadência do protestantismo; uma religião, do mesmo modo que um povo, não vinga em consequência das guerras que vence, senão que dos filhos que gera.

Will Durant, in “Filosofia da Vida”

O Jogo da conformidade ofusca a visão

06/04/2009 por Djalmir de Barros


A objeção contra o conformar-se a usos que se tornaram iregular para ti é a de que dissipam a tua força. Fazem-te perder tempo e borram a nitidez do teu carácter. Se manténs uma Igreja morta; se contribuis para uma Sociedade Bíblica morta; se votas com um grande partido tanto a favor como contra o governo; se pões a mesa de igual modo ao das donas de casa mesquinhas – tenho dificuldade em descobrir, sob todos esses mantos, a tua exata personalidade. E, claro está, muita e muita força é te subtraída da tua própria vida.
Mas age, que te conhecerei. Executa o teu trabalho e te fortificarás. Um homem deve ter em mente que o jogo da conformidade ofusca a visão.
Se conheço a tua seita, antecipo o teu argumento.

Ralph Waldo Emerson, in ‘Essays’

A volta de Cristo somos nós (Paulo Brabo)

10/04/2009 por Djalmir de Barros

A encarnação do Filho, em sua atordoante exuberância, aparentemente não bastara para um Deus suficientemente ambicioso. A divindade provera para si, através do precedente de Jesus, uma segunda e definitiva encarnação, efetuada pelo derramamento profuso da consciência universal de Cristo sobre os que eram tocados por ele. Deus revelava finalmente seu plano: um Filho singular não lhe bastava; seu projeto era ter uma multidão de Filhos, uma comunidade vertiginosa e viva de conspiradores forjados segundo o molde revolucionário da mente de Cristo.

E, quando acontece, acontece sobre todos sem exceção, homens e mulheres, velhos e adolescentes. O texto enfatiza continuamente esta unanimidade pelo uso acumulado das expressões “todo”, “todos” e “cada um”. Nisto, na verdade, está a singularidade da coisa toda: nesta perfeitamente cavalheiresca abrangência de generosidade, sem precedentes e sem sucessores na história de todos os cultos. Em todas as tradições, o sobrenatural é de algum modo seletivo; o que acontece no dia de Pentecostes, em seu generoso abraço, é sobre-sobrenatural.

Que o evento está colocado no relato de modo a contrastar com a recente votação orquestrada por Pedro não deve haver nenhuma dúvida. Pois a iniciativa de Pedro é, no fim das contas, elitista e institucional; o derramamento do espírito é universal e democrático (para não dizer socialista ou, ainda melhor, anárquico).

A votação de Pedro, de iniciativa humana, é delimitadora, fazendo apenas confirmar e legitimar as categorias pré-estabelecidas; o derramar do Pentecostes, de iniciativa de Cristo, é igualitário, dissolvendo em sua embaraçosa unanimidade todos os rótulos e categorias.

A votação de Pedro é sensata, ordenada e ordeira, mas nada realmente produz; o derramamento do espírito é loucura e vento e ruído e caos e, nisto, todos se entendem e todos serão transformados.

E um universo de muitos, a eleição de Pedro peneira dois e premia finalmente um. O espírito escolhe todos e sobre todos reparte a sua honra.

A votação de Pedro é manobra de exclusão, enquanto o sopro do espírito é abraço todo-inclusivo; mesmo os “de fora” são inequivocamente tocados pelo milagre (”ouvimos falar das grandezas de Deus em nossas próprias línguas”), e num instante estarão incluídos nele.

Impossível não ver, em toda essa subversão, a marca distintiva do homem de Nazaré. Pode ser possível perder Jesus de vista no livro de Atos, mas este definitivamente não é o momento. Jesus dissera que teria de partir para que seu espírito viesse; garantira que não deixaria os discípulos orfãos; assegurara que todas as nações veriam a sua glória. Eram promessas grandes e tremendas, mas seu plano se mostrara ainda mais arrojado.

Pois o que testemunhamos neste dia de Pentecostes é nada menos, senhoras e senhores, do que a volta de Cristo. Jesus dissera que a sua vinda seria vista num instante do oriente ao ocidente, e aqui estão todos – da Pártia, da Pérsia, de Elã, residentes na Mesopotâmia, na Judéia, na Capadócia, em Ponto e na província da Ásia, na Frígia, na Panfília, no Egito e nos distritos da Líbia ao redor da cidade de Cirene, romanos residentes, tanto judeus de nascimento quanto convertidos ao judaísmo, de Creta e da Arábia – sendo tocados por ele e contemplando sem intermediários o seu esplendor.

É por isso que Jesus insistia ser necessário que ele fosse, isto é, não permanecesse neste mundo fazendo no nosso lugar o que não éramos capazes de fazer; era por isso que ele assegurava que seus discípulos fariam maravilhas maiores do que as que ele havia feito. Era esta sua promessa, era este o seu plano. Não devemos olhar para o céu aguardando a volta de Cristo, porque o Pentecostes explica-nos sem rodeios que ele voltou imediatamente.

Por Paulo Brabo

As declarações de fé são exclusivistas !

22/04/2009 por Djalmir de Barros

O Dogma e a Religião.

  • Dogma é uma opinião sustentada em fundamentos irracionais e propagada por métodos que tambem o são
    Ex.: rebelar-se contra os dogmas do pai significava surra na certa.
  • Dogma entre protestantes, na hermenêutica bíblica é ordenança ou decreto que designa a doutrina revelada por Deus
    Ex.: o dogma dos apóstolos, mencionado em Atos dos Apóstolos 16:4.
  • Dogma é o ponto fundamental de uma doutrina religiosa, apresentado como certo e indiscutível, cuja verdade se espera que as pessoas aceitem sem questionar
    Ex.: o dogma da santíssima trindade.
  • O dogma é uma imposição, é algo obrigatório ou indispensável para alguém ou para si mesmo; forçar-se, constranger-se a cumprir algo. Ele se contrapõe a razão e a inteligencia; é produto da fantasia, da utopia; sonho, quimera, falta de tino; desvario, delírio, crença vã.

    Enquanto o propósito de Deus é reunir em uma só todas as partes que não têm entre si ligação; fazer com que se juntem (pessoas ou coisas); congregar, tornar-se associado, acrescentar-se, anexar-se. O dogma exclui, põe de lado, afasta, separar !

    O dogma diz: creia como eu creio ou será excluido; coisas da religião. A religião nunca será capaz de reformar a humanidade porque religião é uma escravidão. A Religião persegue, tortura e queima quem discorda dela.

    Hipátia (370-415 DC), filha de Theron, era uma cientista, matemática, astrônoma, líder da escola de filosofia neo-platônica e diretora da Biblioteca de Alexandria. Cirilo, o arcebispo de Alexandria, a odiava por ela ser um símbolo da ciência e da cultura que, para a religião com seus dogmas, representavam o paganismo. Ela continuou seu trabalho apesar das ameaças até que, no ano de 415, foi cercada pelas autoridades eclesiásticas de Cirilo, despida e esfolada até a morte com cacos de cerâmica. Seus restos foram queimados, suas obras destruídas e Cirilo foi canonizado.

      “O Cristianismo irá acabar. Irá diminuir e sumir. Eu não preciso de argumentos para provar isso. Eu estou certo e será confirmado que estou certo. Nós somos mais populares que Jesus hoje em dia; não sei quem será esquecido primeiro, o rock and roll ou o Cristianismo. Jesus era bom, mas seus discípulos são cabeças-dura e ordinários. Eles distorcendo tudo é que fazem com que isso não signifique nada para mim.”

    Obs.: Em 1966. [ John Lennon ]

    As pessoas estão ficando cada vez mais esclarecidas, devido o acesso fácil a informação; estão se importando menos com pastores e mais com professores.

    Djalmir, repensando a fé.

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    Cidadão é aquele que transforma.

    03/05/2009 por Djalmir de Barros

    Augusto Boal

    Em entrevista para Carta Capital, talvez uma das últimas, desferiu: “Hoje, todas as formas de expressão e comunicação estão nas mãos dos opressores. O que a televisão oferece é um crime estético. E ainda acham estranho que alguém sai matando quinze pessoas de uma vez.

    O cérebro das pessoas está impregando dessas imagens. As rádios também repetem o mesmo som o tempo todo. Sem falar no tecno, que desregula até marcapasso, e é pior do que ouvir gente quebrando tijolo em construção.

    Os programas populares da televisão são um massacre, impedem que as pessoas percebam o que está dentro delas. Elas apenas consomem o que lhes é imposto. (…) Cidadão não é aquele que vive em sociedade, cidadão é aquele que transforma”.

    Por Augusto Boal

    Ouro de Tolo

    20/05/2009 por Djalmir de Barros

    dj3Os profissionais de púlpito estão mergulhados em um mar de ilusão, sonho, fantasia, e sabem disso. Mas porque não podem romper com o teatro da vida e assim tornarem-se seres humanos sinceros ? Não seria por causa da zona de conforto que a ilusão proporciona ?

    Eles estão sob um manto de signo e sortilégios que não possuem, em si, nenhuma relevância. Sua mente é raptada diariamente e o seu projeto de vida é o conforto, o sexo e a segurança. Visto que só se preocupam com as coisas terrenas, continuam escravizando nações e aprisionado incontáveis milhares. Sua função é banir dos cérebros a razão e a inteligência. Como uma serpente peçonhenta, rasteja, sussurra e se insinua querendo injetar seu veneno.

    Se posicionar contra esse modelo tão profundamente gravado em nosso DNA significa ser um louco, fora de si, transtornado, em razão de algo que é excessivo; jogar-se na margem da sociedade e condenar-se a uma vida de miséria e isolamento. Por isso são incapazes de romper este looping, pois sabem que isso lhes custaria a exclusão do grupo.

    Por Djalmir.